Origem da inadimplência para as pessoas físicas

Conhecer a origem da inadimplência para as pessoas físicas é muito importante para ajustar a abordagem e a argumentação com o cliente inadimplente.

Existem várias razões para explicar a inadimplência das pessoas. Certamente algumas se devem aos hábitos e atitudes do próprio consumidor, como por exemplo comportamento financeiro, impulsividade nas compras, e influência do ambiente familiar.

Dívidas com bancos, cartões de crédito ou financeiras atinge mais de 60 milhões de brasileiros, que sofrem com o tal do “nome sujo” junto aos órgãos de proteção de crédito.

As causas para a inadimplência podem ser variadas, e em muitos casos se acumulam agravando ainda mais a situação.

Com isso em mente, listei listo algumas das situações que são grandes geradores de inadimplência. Desse modo, convido você a refletir sobre como a cobrança pode apoiar e ajudar a solucionar a situação em cada uma delas.

1. Descontrole das finanças pessoais

Certamente, a educação financeira do brasileiro pode ser considerada baixa. Por isso, algumas pessoas não conseguem alinhar seus gastos com sua renda, comprando por impulso e muitas vezes sem necessidade, levando-os à inadimplência.

Uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil em 2018 dá uma luz bem interessante sobre esta questão. Aqui vão alguns destaques:

  • Fonte de renda: 60% dos consumidores ouvidos praticamente desconhecem sua renda total;
  • Gastos e despesas: 45,5% admitem saber pouco ou nada sobre o valor das contas básicas (por exemplo, as mensalidades escolares e do plano de saúde, a taxa de condomínio, a conta água e luz ou o valor do aluguel);
  • Reservas financeiras: 58% dos consumidores não costumam guardar dinheiro pensando no futuro;

Dessa maneira, falta de controle no orçamento pessoal deixa o consumidor desprotegido e mais exposto a imprevistos.

2. Doença na família

Na média, o brasileiro não é um povo conhecido pelo hábito de poupar, ficando muito exposto na hora de imprevistos.

Quando o assunto é doença, é claro que a prioridade será acudir o familiar que está doente (e eu faria a mesma coisa). Entre pagar uma conta e cuidar da saúde, este sempre ficará em primeiro lugar.

3. Desemprego

Ser dispensado, com certeza, é um grande problema para qualquer trabalhador. Perder a principal fonte de renda de uma hora para outra impacta diretamente a capacidade de pagamento das famílias.

Mesmo com as receitas dos acertos trabalhistas, a pessoa fica insegura em assumir compromissos financeiros. Afinal, não sabe quando terá sua renda mensal normalizada novamente.

Este problema é um dos principais quando ao assunto é a origem da inadimplência para as pessoas físicas.

4. Emprestar o nome para terceiros

Infelizmente, esta é uma das principais causas da inadimplência para as pessoas físicas. Algumas estatísticas apontam que este problema é responsável por aproximadamente 10% do não pagamento de dívidas pelas pessoas físicas.

Quando um amigo ou parente pede o nome emprestado a um terceiro, é por que já está sem crédito na praça. Se não paga a dívida, quem emprestou o nome se verá obrigado a arcar com os pagamentos.

Não saber dizer “não” a um amigo, ingenuidade ou mesmo boa-fé, definitivamente pode colocar o incauto em uma situação problemática.

Por isso, na hora da cobrança, não adianta dizer que a compra foi para a sogra, o amigo, o primo, o parente ou qualquer outra coisa. É o CPF do titular que está em jogo aqui e é ele quem terá de resolver a pendência.

Certamente, trabalhando em cobrança há vários anos, já me deparei com esta situação muito mais do que gostaria.

5. Atraso de salário

De fato, empresas podem atrasar os salários, quando em situação de falta de caixa. Até mesmo funcionários públicos estão sujeitos a este tipo de problema.

Apesar de complicada, esta situação tende a ser temporária, e geralmente não impede uma promessa de pagamento para uma data próxima.

Por isso, uma das opções ao inadimplente é contar com a ajuda de alguém próximo, até que o salário seja regularizado.

6. Alto endividamento

O principal problema aqui é o crescente comprometimento da renda das famílias com dívidas. Mas vamos combinar que o tal do crédito fácil não ajuda neste ponto.

Dados de uma pesquisa em dezembro de 2019 dizem muito sobre este assunto:

  • Endividamento: 65% das famílias possuem algum tipo de dívida;
  • Dívidas em atraso: 24,1% possuem alguma dívida em atraso;
  • Sem condições de pagamento: 10% afirmam que não terão condições de pagar.

Por exemplo, entre estas dívidas estão o cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, carnê de loja e outros.

Quando a pessoa que fica sem opções na hora de pagar as dívidas, ela acaba tomando empréstimos com juros altos e em condições desfavoráveis. Inegavelmente aqui vemos a tal da “bola de neve”.

7. Redução da renda

Os principais influenciadores na queda de renda das famílias são resultados de tempos de crise, como inflação ou desemprego.

Esta situação também atinge em cheio os profissionais liberais, como por exemplo dentistas, que veem sua agenda reduzida em tempos de crise.

8. Impulsividade nas compras

De fato, não é novidade que o consumismo está relacionado a questões como a satisfação e o bem-estar.

Na ausência de um mínimo de auto-controle, a pessoa faz compras sem planejamento e sem respeitar o próprio orçamento. Certamente, aí o problema.

De acordo com os dados de uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil em 2018, aproximadamente 37% das pessoas gastam mais do que podem.

Na origem da inadimplência para as pessoas físicas, esta com certeza tem lugar de destaque.

9. Má-fé ou golpe

Infelizmente, temos que reconhecer que existem pessoas que compram ou tomam crédito já sabendo que não irão pagar.

Aqui não estou falando de imprevistos, mas daquele que já compra com a intenção de não pagar. Nestes casos, dificilmente a cobrança consegue reverter alguma coisa.

Durante o processo da venda, muitas empresas descuidam da análise cadastral devida, e depois devem arcar com as consequências.

Identificar os maus pagadores ou prováveis golpistas é uma das principais responsabilidades do processo de análise de crédito.

Por isso, antes de reclamar que o mercado está cheio de golpistas, lembre-se que a qualidade de sua carteira de clientes é resultado direto do cuidado que você toma na hora da venda.

Falha, deficiência ou inadequação no processo de venda não depende de crises econômicas ou caráter dos devedores.

Este problema está diretamente relacionado à qualificação dos analistas de crédito, dos processos, tecnologia e uso das informações na hora de aprovar uma venda.

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