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O que você precisa saber sobre inadimplência?

Além do significado, existem outras coisas para saber sobre inadimplência, quando o objetivo é evitar que ela estrague a saúde de seu negócio.

Este post pode ser um pouco longo, mas quem quer cuidar deste assunto com a devida atenção não pode ter preguiça e deve investir alguns minutos para pensar sobre o assunto. Então vamos lá!

O que é inadimplência?

De forma bem objetiva, inadimplência é falta de cumprimento de uma obrigação. Mas como o assunto aqui é crédito e cobrança, então vamos focar no aspecto de dívida não paga.

Mas para dizer a verdade, o que significa inadimplência não é segredo para ninguém. Todo mundo sabe o que significa.

A pergunta que eu faço para os meus clientes é: a partir de quando você deixa de considerar que o não pagamento foi um simples atraso e começa a tratá-lo como um inadimplente.

Isso nos leva ao próximo tópico.

Qual o prazo para ser considerado inadimplente?

Esta é uma pergunta importante. Talvez a principal, quando se trata de desenhar sua estratégia para controlar sua inadimplência.

Uma das coisas que você precisa saber sobre inadimplência é que ela é diferente do simples atraso.

Quem trabalha com isso ou quem tem conta para pagar (neste caso, todos nós!) sabe que não é raro o atraso de alguns dias para o efetivar o pagamento. Imprevistos acontecem e fazem parte da vida.

Sem dúvida, motivos não faltam: um atraso de salário, um pagamento que não entrou ou simplesmente você esqueceu (isso acontece mais do que gostaríamos).

Por isso muitas empresas consideram que até o 5º dia como um simples atraso. A partir daí, a coisa muda de figura e passa a considerá-los como inadimplentes.

Pode parecer que é só uma mudança no nome, mas é um pouco mais complicado que isso. A partir daqui o cliente passa a ser considerado inadimplente, e precisa ser acompanhado como tal, até a solução da pendência.

Mas a resposta à pergunta: “a partir de quando se considera inadimplente” depende da natureza de cada negócio. Nós mencionamos acima o 5º dia porque é o que mais temos encontrado por aí.

Mas um de nossos clientes, por exemplo, trabalha com este corte aos 19 dias, já que esta é uma característica do seu negócio e de seus clientes.

Por isso, leve em consideração a natureza do seu negócio e o ciclo de pagamento de seus clientes, e defina a partir de quando você deixa de tratar o não pagamento como simples atraso e começa a abordá-lo como inadimplência.

Nem preciso dizer que existe uma grande diferença entre PJ e PF na hora de definir este corte. Se você os trata da mesma forma, sinto dizer que pode estar perdendo dinheiro.

Como calcular a inadimplência?

Em primeiro lugar e de forma simples, inadimplência é o quanto você não recebeu sobre o quanto tinha para vencer para um determinado vencimento. Atenção para o termo “determinado o vencimento”!

Por exemplo, em dezembro de 2019 minha empresa tinha R$ 1.000 para receber. Porém, somente R$ 800 foram pagos na data do vencimento. Dessa forma, a minha inadimplência de 1 dia (também conhecida como “inadimplência de arranque”) foi de 20%.

A partir daí a cobrança começa a trabalhar sobre esse montante não pago, e 90 dias depois vejo que ainda não recebi R$ 80 do total dos vencimentos de dezembro 2019. Então, minha inadimplência de 90 dias para os vencimentos de dezembro é de 8%.

Atenção! Repare que para o mesmo vencimento (dezembro 2019) temos um índice de inadimplência para 1 dia (20%) e um para 90 dias (8%) e elas são bem diferentes.

Não apenas saber sobre a inadimplência em determinado vencimento, mas sempre mensure considerando as diferentes faixas de atraso a partir de um mesmo período.

Por fim, compare as faixas de atraso com outros vencimentos e aí você terá a evolução deste indicador.

Mas este é um tema tão importante que farei um post especificamente para ele, mas já vou adianto aqui o que falaremos lá em detalhes.

Qual o índice de inadimplência aceitável?

Não só para sermos objetivos bem como para não te fazer perder tempo e criar expectativas falsas vou ser direto: Não existe uma resposta a esta pergunta!

Acima de tudo, a inadimplência de uma empresa é resultado da política de crédito e do processo de vendas planejado pelos seus gestores.

Uma empresa pode ter um percentual de inadimplência considerado alto para seu mercado, mas que esteja abaixo de sua meta estabelecida. Nessa situação, parabéns à equipe, mesmo com o índice acima de seus concorrentes.

Por outro lado, também podemos ter uma empresa com um percentual de inadimplência baixo considerado baixo por seus concorrentes, mas que esteja muito acima de sua meta planejada. E isso é muito ruim.

Qual a diferença entre inadimplência e risco de crédito?

Um aspecto que é importante saber sobre inadimplência é a sua diferença para risco de crédito.

Conforme a resolução do Comitê Monetário Nacional CMN 4.557 (2017), define-se o risco de crédito como a possibilidade de ocorrência de perdas associadas a:

  • Não cumprimento pela contraparte de suas obrigações nos termos pactuados;
  • Desvalorização, redução de remunerações e ganhos esperados em instrumento financeiro decorrentes da deterioração da qualidade creditícia da contraparte, do interveniente ou do instrumento mitigador;
  • Reestruturação de instrumentos financeiros; ou
  • Custos    de    recuperação    de    exposições    caracterizadas    como    ativos problemáticos.

Por isso, inadimplência é um dos possíveis resultados do risco de crédito. Por exemplo, não receber ou demorar demais a receber impacta negativamente o fluxo de caixa e a liquidez de um negócio.

Qual a relação entre inadimplência e o fluxo de caixa?

Conforme nós vimos acima, inadimplência é o não cumprimento de uma obrigação dentro de um prazo determinado.

Mas além de saber sobre inadimplência, também se deve considerar que muitas atividades da empresa dependem do efetivo recebimento conforme o planejado. Entre elas, o pagamento de impostos, funcionários, fornecedores etc.

Inegavelmente, quando não recebemos o que nos é devido no prazo planejado, este valor poderá fazer falta no momento de cumprir as obrigações. E esse é o grande problema da inadimplência sob a perspectiva do fluxo de caixa.

Tão ruim enquanto não receber, também é demorar demais para receber. Afinal, aquele buraco em nosso fluxo de caixa deverá ser fechado com recursos de uma outra fonte.

Este tampão pode vir dos famosos “recursos de terceiros” (endividamento) ou, o que é prior, a empresa deixa de pagar suas contas. Aí temos a famosa bola de neve.

Acho que aqui ficou óbvio que empresa que não cuida de suas contas a receber pode se preparar porque terá problemas de fluxo de caixa no futuro.

Sem dúvida ,cuidar bem que seus recebíveis é garantir oxigênio da empresa para realizar todas as suas outras atividades. Lembre-se que uma empresa não quebra por falta de vendas, mas por falta de caixa.

Existe diferença entre inadimplência para PJ e PF?

A principal diferença é que o trabalhador assalariado possui uma única data do mês onde recebe seus vencimentos, enquanto uma empresa pode estar gerando caixa todos os dias.

De fato, quando uma pessoa física com perfil assalariado não consegue pagar no vencimento, o negociador vai buscar um compromisso para a data de seu próximo salário.

No caso da pessoa jurídica, ela pode gerar a caixa todos os dias e dessa forma tem mais flexibilidade para programar seus próximos pagamentos.

Tenho visto muitas empresas que definem 2 ou 3 datas dentro de um mês onde todos os vencimentos de seus fornecedores são concentrados. Mas isso não chega a ser um problema, pois ainda assim tem mais de uma data para encaixar o recebimento de sua conta em atraso.

Sucesso e bons negócios!

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